Meses Clássicos: O Doador de Memórias 2# A Escolhida, de Lois Lowry

Olá!

(Olha que lindo, sem spoilers de O Doador de Memórias ❤ )

A-escolhida O Doador de Memória #2 – A Escolhida

Lois Lowry, 2000 (Br: 2014)

Editora Arqueiro, 190 págs

 

Órfã e portadora de uma deficiência, Kira precisa enfrentar um futuro assustadoramente incerto. Vivendo em uma civilização que descarta os mais fracos, ela sofre hostilidade dos vizinhos, que a acusam de ser inútil para a comunidade. Quando é chamada a julgamento pelo Conselho dos Guardiões, Kira se prepara para lutar pela vida. Mas, para sua surpresa, os autoritários chefes já têm outros planos e a encarregam de uma tarefa grandiosa: restaurar os bordados de uma túnica centenária que contam a história do mundo. Escolhida por seu talento quase mágico para bordar, a jovem fica radiante com a honraria. Quando dá início ao minucioso serviço de investigação do passado, ela depara com uma série de mistérios nas profundezas do universo que achava conhecer tão bem. Confrontada com uma verdade chocante, Kira precisará tomar decisões que mudarão sua vida e toda a comunidade. Em A escolhida, Lois Lowry traz ao leitor personagens e cenários distintos de O doador de memórias, mas que complementam a sensacional distopia e abrem um novo horizonte de reflexão para a tetralogia.

Muita gente que leu O Doador de Memórias e depois foi ler A Escolhida ficou extremamente confuso ao procurar indícios da sociedade utópica em que nos deparamos no primeiro livro. E essa mudança, além de ser muito importante para o restante da série (eu já li uma sinopse sobre o terceiro livro, e digo que minhas teorias acerca do final estavam certas), é uma ótima metáfora para mostrar que, independente de ser uma sociedade com igualdade ou sem igualdade, algo sempre pode estar atrás do pano que cobre tudo dos nossos olhos.

A série, pelo menos em seus dois primeiros livros, se foca bastante na alienação. Enquanto no primeiro livro ela foca na alienação por parte de uma utopia, aqui ela se foca na alienação de uma maneira artística. A arte é algo belo, como todos sabem, e pode muito bem ser usada para alienação. Já sendo algo belo, é possível esconder tudo feio que tem por trás daquilo, nos mostrando para não confiar totalmente nas aparências.

Apesar disso, o livro mostra o valor de um artista para uma sociedade, o quanto a arte é tão importante quanto a saúde, e também, o quanto ela pode trazer vida a um lugar morto.

A sociedade é diferente da sociedade apresentada no primeiro livro, tendo apenas a semelhança de que, nas duas, eles costumam descartar os mais fracos (por mais que nessa, eles sejam um pouco mais tolerantes) e serem regidos por um Conselho/Assembléia de sábios/anciões. Mas a desigualdade, como eu já disse, é muito grande. Kira, que sempre teve que tomar banho num riacho, se surpreende com a descoberta de que existiam banheiras ali. Esse momento do livro foi uma ótima maneira de mostrar a diferença entre a riqueza e a pobreza de lá, por mais que ela nunca esteja escondida.

A escrita da Lois Lowry continua muito boa. O livro tem quase 200 páginas, mas mesmo assim, muita história foi contada em tudo isso. É fácil se identificar com os personagens, o que causou uma impressão ainda melhor sobre o livro. O final é um pouquinho previsível após o pano começar a cair, mas mesmo assim, eu considerei um final melhor do que de seu antecessor. Na verdade, gostei bem mais de A Escolhida do que de O Doador de Memórias.

E é isso! Recomendo novamente essa série incrível, e por favor Arqueiro, LANÇA LOGO O TERCEIRO LIVRO!

Até a próxima o/

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