Resenha: Will e Will – de John Green e David Levithan

Olá! A quanto tempo estamos sem resenhas do Tio Verde, não é?

 

url Will & Will – Um Nome, Um Destino

de David Levithan e John Green, 2010 (BR: 2014)

Editora Galera Record, 348 págs

– Quem é você?

Eu me levanto e respondo:

– Hã, eu sou Will Grayson.

– W-I-L-L G-R-A-Y-S-O-N? – pergunta, soletrando impossivelmente rápido.

– Hã. Sim – digo. – Por que a pergunta?

O garoto me olha por um segundo, a cabeça inclinada, como se pensasse que eu poderia estar passando um trote nele.

Então finalmente diz:

– Porque eu também sou Will Grayson.

 

Amor adolescente, intriga, raiva, sofrimento e amizade. Tudo isso com temperadas doses maciças de comédia.Prepare-se para o universo de Will & Will. E para pérolas de sabedora que irão mudar sua vida… ou pelo menos aumentar seu número de curtidas no Facebook.

 

Não é novidade nenhuma de que um dos meus autores favoritos é o John Green, e que o David Levithan, desde Todo Dia (e que eu vi hoje QUE GRAÇAS AO NOSSO SENHOR DEUS VAI SAIR CONTINUAÇÃO, POIS É IMPOSSÍVEL ALGUÉM SE CONFORMAR COM AQUELE FINAL. Tá, desculpa o ataque), tem tudo para virar um dos meus autores favoritos. Então, eu conheço Will & Will e eu me vejo num mar de felicidade com a reunião de dois autores que eu aprecio tanto.

Num primeiro momento, eu não gostei tanto assim do Will do John. Não sabia se era ele ou se era Tiny Cooper, que, por mais que na verdade ele seja o verdadeiro protagonista do livro, me pareceu um completo poço de inutilidade “mais” clichê “mais” “algo para tornar ele diferente, mas os dois outros pontos são mais importantes, então deixa quieto”. Como eu estava errado. Ao longo da narrativa, os personagens mudam muito drasticamente, e nos sentimos como essa mudança acontece. E é impossível não se identificar com Tiny Cooper e todas as suas decepções amorosas. Por mais que isso não se mostre no livro, é perceptível ver que Tiny Cooper quer pertencer, e esse é um desejo que quase todos nós temos.

Justamente por conta dessa evolução dos personagens e do jeito que nós vamos conhecendo mais eles, o livro vai melhorando conforme nós avançamos, e o desgosto que eu tive por ele logo no começo se acabou logo na página 50, pelo menos com o desgosto com o Will do John, pois eu gostei logo de cara do Will do Levithan.

Por mais que eu tenha gostado mais do Will do Levithan, eu realmente senti que ele poderia ser mais explorado. Em Todo Dia, Levithan coloca um personagem depressivo e o capítulo desse personagem é uma coisa muito agoniante, o que me deixou ansioso para ver como ele iria tratar do Will. Bem, foi extremamente diferente. Tinha esse problema, mas ele toda hora contornava isso com outra coisa, sendo que isso poderia ter rendido frutos e um livro até mais interessante ainda. Só foi explorado de duas maneiras, sendo que uma era o fato de que os capítulos desse Will serem sempre com letra maiúscula e com os diálogos com o nome da pessoa em frente da fala, quase como um roteiro. Desculpem-me, mas todas as vezes que ele tocava nesse assunto, eu não sentia nada diferente ao ler postagem de depressiva-attwhore no Facebook.

John Green e David Levithan escrevem super bem, tanto que, como sempre digo do John, e gostaria muito de falar isso do Levithan, acho desnecessário me alongar nisso. Os dois são conhecidos por frases filosóficas lindas, e isso é o que não falta nesse livro. É impossível não gastar post-it com eles.

O final também é muito bom. É um final louco, mas foi tão bem-feito e tão louco e tão improvável, que eu me deixei levar pela regra em-livro-pode-tudo. Mas quero dizer, esse não é um livro sobre improbabilidades? É impossível terminar ele sem ter um sorriso gigante estampado na cara.

A última edição tem uma capa bonita, por mais que eu prefira a capa da primeira edição brasileira, por mais que eu prefira a capa brilhante americana. Ele está bem revisado e a diagramação está boa, por mais que eu tenha encontrado incontáveis erros de edição ao longo de todo o livro, não sei se é com apenas o meu exemplar ou se é algo dessa reimpressão (já que o livro já tem 13 reimpressões). Poxa gráfica, mais cuidado, viu?

 

É isso! Uma recomendação de um livro belíssimo, que acho justo todos verem. Até mais!

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