#MLI2015 | Desenterrando Clássicos | Olhai Os Lírios do Campo, de Érico Veríssimo

E essa é, FINALMENTE, A ÚNICA RESENHA SOBRE A MINHA MARATONA DE INVERNO.

ACABOU MARATONA DE INVERNO GENTE.

DEPOIS DE DOIS MESES

 

peguei lá do Ingrid Lemos pois não achei a capa do livro e achei essa fotinha linda <3
peguei lá do Ingrid Lemos, pois não achei a capa do livro e achei essa fotinha linda ❤

Olhai os Lírios do Campo

de Érico Veríssimo, 1938

Companhia das Letras, 285 págs

Eugênio Pontes, moço de origem humilde, a custo se forma médico e, graças a um casamento por interesse, ingressa na elite da sociedade. Nesse percurso, porém, é obrigado a virar as costas para a família, deixar de lado antigos ideais humanitários e abandonar a mulher que realmente ama. Sensível, comovente, ‘Olhai os Lírios do Campo’ é um convite à reflexão sobre os valores autênticos da vida.

Essa é a segunda obra do autor que eu leio, sendo que a primeira foi uma livro infantil. Sabe aquelas em que a página inteira é uma ilustração e, geralmente na parte de baixo, uns dois, três parágrafos bem curtinhos? Pois é, e desde essa época eu já gostei do autor. E ele não me decepcionou nem um pouco em Olhai Os Lírios do Campo.

Basicamente, o livro trata de dois temas: a esquerda política VS direita política, com foco patriarcalismo e desigualdade social, e religião/fanatismo religioso. Os dois temas foram majestosamente usados na história, o que só me fez me apaixonar mais.

Todos os personagens são aprofundados, mas o livro tem um brilho e gira em torno, especialmente, da personagem Olívia. A Olívia tem uma visão maravilhosa de mundo, e é aquele tipo de pessoa que a gente gostaria que fosse de verdade, sabe? Ela é simplesmente maravilhosa, e a mudança que ela faz no Eugênio é inacreditável.

E agora, falando do personagem “principal” (OLIVIA PARA PRESIDENTE), nós conhecemos o Eugênio bem cedo e vamos acompanhando toda a vida dele, e é a base do livro. O autor não nos coloca na vida dele e coloca tudo por cima: ficamos íntimos do Eugênio, como se fossemos longos melhores amigos de infância ao qual ele confia extremamente tudo. É incrível ver o quanto ele se molda ao longo do livro, principalmente após a segunda parte.

O livro tem discussão política atrás de discussão política, o que faz o leitor parar para pensar. Realmente não sei como alguém consegue ler o livro e depois não ceder a esquerda política. As críticas sociais são gritantes, principalmente nas cenas do Megatério, que é uma crítica gigantesca (ops, trocadilho) aos capitalistas.

A desigualdade social é a mais recorrente, principalmente na presença de um personagem capitalista e de um personagem judeu, que tem um romance com a filha do capitalista, num estilo Romeu e Julieta – ninguém os aprova. As ações humanitárias de Eugênio contra os desejos gananciosos de todos os personagens do “círculo de amigos” dele formam um contraste gigantesco, visto que todos nasceram em berço de ouro e ele, na parte mais pobre da cidade.

A escrita do Érico Veríssimo é, em comparação a outros clássicos brasileiros, bem “rasa” por mais que eu não tenha a achado fluida. Na verdade, esse foi o único empecilho ao decorrer do livro, além da folha branca. De resto, achei o livro simplesmente maravilhoso.

 

Peguei a imagem lá no blog Ingrid Lemos!

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#MLI201|Desenterrando Clássicos|Os Goonies, de James Kahn

Olá! Tudo bem com vocês?

A #MLI2015 já acabou faz dois meses E EU AINDA NÃO POSTEI TODAS AS RESENHAS. MEU DEUS.

Mas, em compensação, teve uma semana inteira que eu não consegui ler livros da minha TBR, então terça que vem vai ser A ÚLTIMA RESENHA DA #MLI2015 \O/ \O/ \O/

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Os Goonies

de James Kahn, 1985

Darkside, 237 págs

ISBN: 9 788566 636093

Com os prédios de seu bairro estando prestes a ser demolidos, o que forçará a mudança de todos os residentes do local, um grupo de garotos resolve organizar uma cerimônia de despedida do local. Quando descobrem um legítimo mapa do tesouro, capaz de torná-los ricos e evitar a destruição de suas casas, Os Goonies resolvem partir em uma grande aventura.

“Eu jamais trairei meus amigos das Docas Goon,

Juntos ficaremos até o mundo inteiro acabar,
No céu e no inferno e na guerra nuclear,
Grudados feito piche, como bons amigos iremos ficar,
No campo ou na cidade, na floresta, onde for,
Eu me declaro um companheiro Goony.”
O Juramento Goony pág. 5

 Num resultado final, o box da Darkside é maravilhoso. Seja em edição ou em história, vale mega a pena comprar ele. Mas se eu tivesse que recomendar apenas um? Com certeza seria Os Goonies. Facilmente, eu o elejo como o melhor livro que eu li dentro da minha TBR e o segundo melhor que eu li em toda a #MLI2015.

 Mas eu não comecei esse livro com todo esse amor. Na verdade, eu realmente demorei muuuito para perceber o quão bom ele era, já que o começo é extremamente maçante. Eu pensei seriamente em desistir, e não ter feito isso foi uma das melhores coisas que eu já fiz.

 O livro, por ser narrado por pré-adolescentes, tem uma escrita bem leve, que o James Kahn consegue reproduzir de uma maneira excelente. Ele é inspirado no roteiro de Chris Columbus, e mesmo eu não tendo visto o filme ainda, acredito que o roteiro deve ser muito bom ou o James que é um eximo autor ao ponto de melhorar um roteiro ruim.

 É impossível, digo, impossível não se apaixonar pelos personagens. Todos tem suas peculiaridades, desejos, defeitos e qualidades e te marcam de uma maneira diferente, realmente mostrando um certo amadurecimento mesmo com o livro se passando num curtíssimo espaço de tempo. Particularmente, eu gostei muito mais do Sloth do que das demais personagens, mas todos tem um espaço (own) no meu coração.

 A história é cheia de aventura e empolga o leitor, mesmo com um começo chato pra caramba.

 Juntando tudo, narrativa, história e personagens, é impossível ler o livro e não sentir certa nostalgia da sua infância, mesmo que você não tenha achado nenhum tesouro nem um navio pirata, e nem tenha ligação com um pirata. E é esse o fato que faz com que o livro seja totalmente amável.

 No final, o livro usa a nostálgia e um pouco de força de vontade para atrair o leitor, e é algo que vale extremamente a pena.

 Obrigado por ler até aqui!

 Mas já quero falar que provavelmente o Aprendiz vai ter algumas novidades até o final do ano, além da parceria com o Selo Lumus! Estejam preparados 😉

Desenterrando Clássicos #MLI2015 | Psicose, de Robert Bloch

Olá!

Primeiramente: DESCULPA POR NÃO TER POST SEMANA PASSADA.

Mas gente, eu tava com dois trabalhos pra fazer e ainda tive retiro de jovens na Igreja, então eu não tinha nem tempo pra respirar. E eu só estou postando hoje pois sei que amanhã também não vou conseguir postar nada sobre cinema. Desculpa aí :\

E segundo: Lembram-se do Meses Clássicos? Pois é, eu acabei percebendo que 1) eu não estava lendo um clássico por mês e 2) vai que em um mês eu leio dois clássicos e tenho que deixar a resenha para o próximo mês?

Então, em homenagem ao box de livros da Darkside, que contém três clássicos, eu dou novo nome á minhas resenhas de clássicos: Desenterrando Clássicos! \o/ (Darkside, caso tenham algum problema com o nome, podem dar um toque que eu troco c: )

Mas enfim, vamos para a resenha?

ÍndicePsicose

de Robert Bloch, 1959

Darkside, 240 págs

Psicose, o clássico de Robert Bloch, foi publicado originalmente em 1959, livremente inspirado no caso do assassino de Wisconsin, Ed Gein. O protagonista Norman Bates, assim como Gein, era um assassino solitário que vivia em uma localidade rural isolada, teve uma mãe dominadora, construiu um santuário para ela em um quarto e se vestia com roupas femininas. Em Psicose, sem edição no Brasil há 50 anos, Bloch antecipou e prenunciou a explosão do fenômeno serial killer do final dos anos 1980 e começo dos 1990. O livro, assim com o filme de Hitchcock, tornou-se um ícone do horror, inspirando um número sem fim de imitações inferiores, assim como a criação de Bloch, o esquizofrênico violento e travestido Bate, tornou-se um arquétipo do horror incorporado a cultura pop.

O livro já começa em grande promessa. O que instigou Hitchcok, um dos maiores diretores de todos os tempos, a querer gastar uma fortuna fazendo o filme e comprando todos os exemplares? Me sinto feliz em dizer que a promessa não decepciona.

O que eu mais gostei foi do livro fluir muito bem. Eu mesmo li ele em menos de um dia (tá, estava no carro numa viagem de dois dias e meia, mas acho que conta), ou seja, numa sentada só. A escrita é bem simples e, mesmo nós sabendo tudo sobre crime do livro, o leitor fica interessado em saber como os personagens chegaram lá.

E a última frase praticamente descreve o livro. Não sei se isso é pela geração que eu estou ou se é algo recorrente desde que esse livro foi lançado, mas eu achei ele previsível demais. Eu adivinhei metade do final e por isso estava achando que o livro não era tudo isso, mas depois eu percebi que o que interessava era a maneira como os personagens chegaram até o final, além dos eventos no final para os personagens soubessem de tudo e nós recebêssemos mais informações. Mesmo assim, algumas poucas coisas conseguiram me surpreender no final.

O tem quatro narrados: o Norman Bates, dono do Bates Motel, Marion Crane, a moça da cena da banheira, Lila Crane, irmã de Marion, e Sam Loomis, sendo que esses dois últimos dividem alguns capítulos. Marion tem uns dois capítulos, os dois muitíssimo importantes para a história, já que se tratam dos dois acontecimentos que fazem a história andar: a fuga dela e o próprio assassinato. Por motivos óbvios, os capítulos de Norman são bem perturbados, com a figura da Mãe sempre em cima dele, além de diversas dicas de como ele realmente possa ser. Também são poucos os capítulos dele, mas foram os que mais me interessaram, diferente dos de Lila e Sam, que praticamente fazem um casal (no sentido romântico) até um pouco desnecessário.

O livro discute muito sobre a natureza humana. Seja em diálogos de Sam e Marion ou nos capítulos de Norman, esse tema está sempre recorrente, de diversas maneiras. O final é bem amarrado e satisfaz. (e eu realmente me pergunto como que fizeram as continuações para o cinema)

Psicose é um livro clássico que trata de um suspense de uma maneira que prende o leitor, mesmo que, graças aos tempos da literatura atual, fique bem previsível.

 

Obrigado por ler até aqui! Até mais o/